Segunda, 22 Janeiro 2018

Mensagem de Natal de Dom Darci José Nicioli

  

Gente boa!

 

Anuncio a todos uma grande notícia, algo excepcional que não é matéria dos telejornais e nem manchete nos grandes meios de comunicação: Deus está à nossa procura! Ele quer encontrar-se com os seus “conaturais”, os homens e mulheres que são sua imagem e semelhança.

Por que Deus se apresenta na história e restabelece diálogo conosco? O pecado interrompeu a comunicação e Deus tomou a iniciativa de vir em nosso socorro: “nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele por primeiro nos amou” (1Jo 4,19). Deus nunca desiste da humanidade e nos ama com um amor ciumento!

Com a encarnação Deus recria o caminho para a humanidade, liberta os cativos de todo tipo de escravidão, ilumina quem se encontra nas trevas, renova as esperanças e inaugura o tempo favorável (Is. 61,2) O projeto divino é de reconstrução existencial e social, em vista de um jeito novo de viver.

Deus não improvisa! A ação salvadora foi sendo planejada com muito esmero, perpassou a história da humanidade e se atualizou para nós hoje. Vencer a corrupção, a mentira, a ganância de poder e derrubar os poderosos dos seus tronos, exigiu que Deus descesse a terra e agisse para anular o que os mecanismos do mal e do pecado causam à pessoa e à sociedade.

Esta é a realidade do Natal: “Deus ama o homem, Deus ama o mundo. Não um homem ideal, mas o homem tal como ele é; não um mundo ideal, mas o mundo real” (Bonhoeffer). O Natal revela a esplendorosa e feliz boa nova do Deus que se faz um de nós, vive conosco e compartilha nossas vidas em tudo aquilo que é próprio da vida humana.  

O antigo Israel não se deixou convencer por esta proposta inovadora de Deus, assim como muitos até nos dias de hoje.  Israel ansiava pela vinda do Messias, mas esperava um Deus interventor, senhor dos exércitos e dominador dos reinos da terra. Não adiantou nem mesmo os Profetas falarem da injustiça ao órfão e à viúva, ao estrangeiro e aos deserdados da terra, pois continuaram cegos e surdos à voz de Deus: “Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. (Jo 1,11)

Surdez e mudez que se perpetuam também na atualidade, naqueles que agem como “donos do mundo” e, pela corrupção, destroem o “Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista, e sem preconceitos, fundada na harmonia social”. (CF/88)

Quando Jesus nasceu em Belém da Judéia, Herodes era o mandatário do Império Romano, autoridade máxima daquela região. A grande maioria do povo vivia na extrema pobreza, oprimida por pesados impostos e leis perversas. Tamanha situação de escravidão, tanto civil quanto religiosa, clamava aos céus por libertação.

Foi nessas circunstâncias, que ressoaram as palavras do profeta Isaias: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a Virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emmanuel” (Is. 7,14). Séculos depois, a profecia encontrou cumprimento na revelação feita a José, o pai adotivo de Jesus: “...  José, da descendência de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, porque o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo”. (Mt, 1,19)

Deus se apresentou como filho de uma mulher, uma frágil criança, justamente para nos ensinar a força da impotência e não a potência da força. Na pequenez de uma criança, a grandeza de Deus!

Na criança nascida por obra e graça de Deus, reside nossa esperança, pois nela esta a plenitude da força divina, é “o Conselheiro admirável, o Deus forte, o Pai do século futuro, o Príncipe da Paz” (Is. 9,6). À sua chegada, nenhum ídolo permanece, “todo joelho se dobre e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2,10).

Celebremos o Natal de Nosso Senhor, conforme nos orienta o Papa Francisco: “procurando a amizade de Jesus, vencendo o individualismo, expurgando o pessimismo estéril, sendo sinais de esperança, praticando a revolução da ternura, eliminando a espiritualidade do bem-estar, livrando-nos da mundanidade espiritual que busca a glória humana, enfim, acolhendo o frescor e a alegria do Evangelho.” (EG)

Exorto a todos – homens e mulheres de boa vontade – a acolher o Deus Salvador. Ele não está de passagem como um turista-visitante, mas vem para morar conosco, indicar para novos endereços e construir caminhos por onde precisamos seguir em busca de um novo tempo.

 

Oração de Natal de São João XXIII

Doce Menino de Belém, fazei que penetremos com toda a alma no profundo mistério do Natal.

Colocai no coração dos homens e mulheres a paz que buscam, as vezes com tanta violência, e que somente Vós podeis dar.

Ajudai-os a conhecer-se melhor e a viver fraternalmente como filhos e filhas do mesmo Pai.

Mostrai-lhes também vossa beleza, vossa santidade e vossa pureza.

Despertai em seus corações o amor e a gratidão à vossa infinita bondade.

Uni-os em vossa caridade.

E dai a todos nós vossa paz celestial. Amém!

 

Santo Natal e próspero Ano Novo, repletos das bênçãos de Deus, para você e sua família!
São os votos do Arcebispo e de todos os sacerdotes!

 

 

+ Darci José Nicioli, CSsR

Arcebispo Metropolitano de Diamantina MG